A evolução da produção de leite no Estado de Minas Gerais e a participação do rebanho da raça Holandesa no período de 1990 a 2005

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CPT - Centro de Produções Técnicas

Autor: Cláudio Nápolis Costa, Milla Albuquerque de Souza, Ary Ferreira de Freitas As mudanças econômicas ocorridas desde o início da década de 1990 têm promovido ajustes estratégicos e estruturais na cadeia produtiva do leite no Brasil. A desregulamentação do mercado do leite, posterior à abertura comercial da economia brasileira, resultou em um mercado bastante competitivo exigindo produtividade, qualidade e escala de produção. No período de 1990 a 2005 a produção de leite no Brasil aumentou 69,5%, alcançando 24,6 bilhões de litros em 2005. A participação regiões na produção de leite do País não é distribuída de forma homogênea. Segundo os registros do IBGE, no ano de 2005, a região Sudeste apresentou a maior participação e, Minas Gerais, com 6,9 bilhões de litros que representaram 28% da produção nacional, foi o Estado que mais produziu leite. Minas Gerais possui em seu território grandes variações climáticas, topográficas, econômicas e sociais que refletem diretamente no desempenho dos sistemas de produção de leite. Há uma grande variação na estrutura da produção, coexistindo desde produtores com produção diária menor que dez litros até produtores com mais de 50 mil litros/dia. Entre estes produtores incluem-se os criadores da raça Holandesa, reconhecida como a de maior produção entre as raças leiteiras especializadas. Utilizando-se os registros das bases de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e os registros zootécnicos dos rebanhos atendidos pelos Serviços de Controle Leiteiro da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa – ABCBRH e da Associação do Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais – ACGHMG, realizou-se este estudo para descrever a evolução da produção e da produtividade do leite na região Sudeste e em Minas Gerais e analisar, de forma associada, o desempenho da raça Holandesa no estado, no período de 1990 a 2005. Os dados disponibilizados pelas ABCBRH e ACGHMG foram editados, mantendo-se as vacas com registros de ano de parto entre 1980 e 2005, ano de nascimento entre 1975 e 2003, ordem de parto de 1 a 6, idade ao primeiro parto entre 18 e 42 meses, idade máxima de 132 meses, duração da lactação superior a 150 dias, intervalo entre partos entre 300 e 540 dias, porcentagens de gordura e proteína entre 2 e 6% e produções ajustadas para duas ordenhas, em 305 dias. Após estas restrições, foram utilizados os registros de produção de rebanhos com o mínimo de 10 vacas em controle, por ano. A Tabela 1 mostra a produção de leite e número de vacas ordenhadas na região Sudeste e seus respectivos Estados, no período entre 1990 e 2005. No último ano do período, a produção de leite da região Sudeste (9,5 bilhões) correspondeu a 38,2% da produção nacional. Apesar de continuar na liderança da produção leiteira nacional, a participação da região Sudeste diminui desde 1990, quando correspondia a 47,9%. Com tendência similar, a produção de leite de Minas Gerais foi de 6,9 bilhões de litros/ano em 2005. Embora tenha se observado aumento de 61% na produção de leite no estado, a sua participação no volume total nacional reduziu 29,6 % para 28,0%. Observa-se ainda que, em todos os estados da região, o número de vacas ordenhadas diminuiu enquanto a produção de leite aumentou. A relação destes indicadores significa um aumento nas produtividades da região e do estado, que alcançaram 1351 e 1483 l/vaca/ano em 2005, ou um crescimento de 50,9 % e 67,5%, respectivamente. Na Tabela 2 são apresentadas informações sobre a estrutura e desempenho dos rebanhos da raça Holandesa em Minas Gerais. Houve um crescimento de 46% do número de rebanhos entre 1990 e 2000, o qual decresceu desde então para 86 rebanhos sob supervisão do controle leiteiro da ACGHMG, em 2005. Apesar da recente redução no número de rebanhos, o seu tamanho médio evoluiu de 23 para 40 vacas em controle, ou seja, aproximadamente 74,0%. No que concerne ao desempenho produtivo, observou-se melhoria em todas as características no período, com aumento de produtividade de leite e gordura em, aproximadamente, 54,2% e 52,0%, respectivamente. A produção de proteína nos rebanhos da raça Holandesa em MG passou a ser registrada somente após 1998, com a instalação de laboratórios de analise de qualidade do leite no estado. Entre 2000 e 2005 a produção de proteína evoluiu 5,7%, atingindo a média de 225,4 kg/lactação. É Interessante observar o aumento da duração média da lactação de 300 para 320 dias, associado ao aumento da produção de leite, que alcançou 7361,8 kg. O aumento da produtividade fica evidente ao analisar a produção diária, que evoluiu de aproximadamente 16 para 23 litros/dia, ou seja, 43, 7%. A evolução significativa do desempenho produtivo na lactação e diário das vacas da raça Holandesa no período indica uma provável melhoria genética dos animais associada à melhorias nas condições de manejo dos rebanhos. A produção de leite da Região Sudeste e de Minas Gerais aumentou no período estudado, mas as suas participações na produção nacional têm diminuído. Houve também uma melhoria significativa, superior a 50%, na produtividade de leite. Acompanhando a redução do número de vacas ordenhadas ou do rebanho leiteiro do estado, o número de rebanhos supervisionados pela ACGHMG diminuiu. Entretanto, o seu tamanho médio estimado aumentou para 40 vacas em controle leiteiro oficial. A redução do número de rebanhos, mas aumento de seu tamanho médio acompanhado de aumento da produção e da produtividade são indicativos de melhorias no potencial genético dos animais e das condições de manejo dos rebanhos. No seu conjunto representam uma tendência de especialização da atividade leiteira no estado.

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