Beba leite em qualquer idade – Parte I

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CPT - Centro de Produções Técnicas

por Dra. Licinia de Campos, nutricionista Leite e outros derivados contribuem para a ingestão recomendada de nutrientes e promovem a saúde por toda a vida, desde a infância até os anos mais avançados. As recomendações de ingestão diária para nutrientes para todas as faixas etárias foram recentemente revisadas. Em 1997, a Academia Americana de Ciências dos Alimentos e a divisão de Nutrição do Instituto de Medicina liberaram novas recomendações dietéticas, chamadas de Ingestão Dietéticas Referenciais (DRIs), para os 5 nutrientes relacionados com a saúde óssea e outras funções orgânicas: cálcio, fósforo, magnésio, vitamina D e flúor. Em 1998, as DRIs foram publicadas para tiamina, riboflavina, niacina, vitamina B12, folato, vitamina B6, ácido pantotênico, biotina e colina. Para os outros nutrientes, as Recomendações Dietéticas (RDA) de 1989 permanecem, até que outras atualizações sejam liberadas. Bebês O leite de vaca (integral, com 2% de teor de gordura, 1% de gordura reduzida, desnatado ou semi) não é recomendado para bebes durante seus primeiros doze meses de vida. Por conta da baixa concentração em ferro e sua biodisponibilidade, alimentar com leite de vaca antes da introdução de alimentos sólidos ricos em ferro, aumenta o risco de anemia por deficiência ferro-priva nos bebes e intestinos e possível perda intestinal de sangue em bebes com sensibilidade a leite. Durante o primeiro ano de vida, o leite materno ou comercialmente preparado através de fórmulas é recomendado para dar suporte ao rápido crescimento e desenvolvimento das crianças. A alergia ao leite de vaca se desenvolve em menos de 3% dos bebes. Contudo, na maioria dos casos, a reação à proteína do leite de vaca é geralmente superada no 3º. aniversário. Para bebes com sensibilidade ao leite de vaca, confirmada medicinalmente, recomendam-se fórmulas hipoalergênicas (exemplo: proteína hidrolisada) até no mínimo 1 ano de vida. Para ajudar a evitar alergias alimentares em bebes com alto risco desta doença, como resultado de histórico familiar, a Academia Pediátrica Americana recomenda o seguinte: a) bebes devem ser amamentados exclusivamente nos primeiros 4 a 6 meses de idade; b) não se aconselha introduzir alimentos sólidos até os 4 a 6 meses; c) o leite de vaca não deve ser introduzido até o 1º. ano de idade. Alimentando o bebe com uma fórmula de soro de leite parcialmente hidrolisada ou amamentação ao peito exclusiva diminui-se o risco de alergia alimentar para bebes de alto risco. Suspeita-se que a sensibilidade à proteína do leite de vaca contribui para a cólica infantil. Contudo, as evidências científicas falharam em provar esta hipótese. O queijo pode ser introduzido aos 4 a 6 meses, quando os alimentos sólidos começaram a complementar a dieta líquida do bebe. Fatias/ cubos de queijo e cottage são alimentos apropriados para alimentar bebes. Iogurte pode ser introduzido mais ou menos na idade de 8 a 10 meses. Crianças O leite de vaca pode ser introduzido para crianças acima de 1 ano de idade. Porém, por conta de necessidade das crianças por alimentos com nutrientes de alta densidade, que dêem suporte ao seu crescimento e desenvolvimento, os leites desnatados e semi ou outros alimentos lácteos com teor de gordura modificada não são recomendados para crianças entre 1 a 2 anos de idade. Após a idade de 2 anos, os guias alimentares recomendam que a criança adote aos poucos uma dieta contendo não mais que 30% das calorias provenientes da gordura, até os 5 anos de idade. Há, no entanto, uma corrente crescente que acredita que a criança necessita de maior flexibilidade na sua ingestão lipídica para atender suas necessidades energéticas no período de crescimento, desenvolvimento e atividade. Para crianças em idade tenra, leite e seus derivados fornecem a maioria da ingestão em cálcio. O aumento da ingestão em cálcio beneficia a saúde óssea e ajuda a reduzir o risco de toxicidade por chumbo. O consumo da ingestão recomendada em leite e outros lácteos, ricos em cálcio (3 a 4 porções por dia) durante a infância é um determinante importante da massa óssea e futuro risco de osteoporose, assim como o risco de fraturas ósseas durante a infância. Mas deve-se considerar que além do cálcio, leite e derivados são alimentos densos em nutrientes, fornecendo proteínas, vitaminas e minerais necessários ao crescimento e desenvolvimento infantil. De acordo com análises recentes de fontes dietéticas de nutrientes na dieta das crianças, leite é a fonte de cálcio número 1, assim como de magnésio e proteínas, e a maior fonte de zinco, vitamina A e folato. Leite e seus derivados fornecem cerca de 70% de cálcio a dieta das crianças com idades entre 6 – 11 anos de idade. O leite fortificado com vitamina D é a fonte alimentar básica de vitamina D. Esta vitamina exerce papel importante na absorção e metabolismo do cálcio. Duas porções de 250 ml de leite fortificado com vitamina D fornecem a quantidade recomendada atualmente para crianças de todas as idades (200 UI/dia). Recomenda-se 3 porções por dia do grupo alimentar do leite para crianças com idades de 1 a 3 anos. Os tamanhos das porções recomendadas para crianças em idade tenra são menores que as porções dos adultos. Para crianças com idades entre 1 a 3 anos, uma porção tem cerca de 2/3 da porção normal, ou cerca de 180g de leite ou iogurte e cerca de 30g de queijo. Durante os anos pré-escolares, recomendam-se porções maiores do grupo do leite. Crianças com idades de 4 a 8 anos devem consumir 3 porções do grupo de leite, sendo considerada uma porção 250 ml de leite ou iogurte e 45 a 60g de queijo. A ingestão do leite e derivados pode reduzir o risco de perda dentária nas crianças. Componentes do queijo ou leite, tais como proteínas (caseína, soro do leite), lipídeos, cálcio e fósforo podem ser responsáveis pela proteção efetiva dos produtos lácteos contra cáries. Infelizmente, muitas crianças não consomem o número recomendado de porções deste grupo. Adolescência A ingestão de leite e derivados durante a adolescência é importante para suprir as necessidades em cálcio, para construção e força da massa óssea. Otimizar a quantidade de massa óssea depositada durante a adolescência é considerada a estratégia mais efetiva para reduzir o risco de osteoporose na vida idosa. O aumento da ingestão em cálcio durante um período de 5 anos, dos 11 aos 16 anos, coincide com o tempo de maior acréscimo ósseo substancial. Mas além da aquisição em cálcio, a ingestão de leite e derivados contribui para outros nutrientes. Em comparações feitas com adolescentes, de 13 a 18 anos, com e sem ingestão normal de leite, descobriu-se que os primeiros consomem 80% a mais de cálcio, 59% mais vitamina B, 56% mais riboflavina, 38% mais folato, 35% mais vitamina A, 24% mais de vitamina B6 e de potássio, e 22% mais de magnésio que os adolescentes não consumidores de leite. Para atingir as necessidades em cálcio de 1300 mg/dia, 4 porções do grupo de leite são recomendadas para crianças e adolescentes entre as idades de 9 a 18 anos. Poucos adolescentes consomem o número recomendado de porções de laticínios por dia. Sem o consumo de laticínios, fica difícil para adolescentes atingirem a ingestão recomendada de cálcio e vitamina D. Além do mais, a ingestão de laticínios incrementa a adequação em nutrientes sem necessariamente aumentar o total calórico ou de ingestão de gorduras, peso corporal ou gordura corporal percentual. Para adolescentes grávidas, a ingestão adequada de leite e derivados durante a gestação, ajuda a preservar a massa óssea e suprir as necessidades em nutrientes. As recomendações nutricionais em cálcio para grávidas e lactantes adolescentes é de 1300 mg de cálcio/dia ou o equivalente a 4 porções de leite, iogurte ou queijo. Referências bibliográficas: • National Dairy Council • Handbook of Dairy Foods and Nutrition, 3rd ed. Gregory Miller et all, 2007. • Agri-Food and Bioscience Institute – Beneficial nutrients in bovine milk for human health. V.B. Woods et all. 2007. . Fonte: Informativo Leite & Saúde – Láctea Brasil,.  adaptado pela Equipe Milknet.

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