Substituição do leite por refrigerantes

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CPT - Centro de Produções Técnicas

por Dra Licinia de Campos, nutricionista* Há pesquisas que associam a ingestão de certos tipos de refrigerantes com ossos frágeis, mas o carbonato não parece ser o problema. Os especialistas em nutrição acreditam que a cafeína pode ser a culpada. Em um estudo realizado em 2001 na Universidade de Creighton em Nebrasca, EUA, as pessoas perderam quantidades mensuráveis de cálcio após ingerirem refrigerantes cafeinados. A ingestão dos decafeinados não pareceu ter o mesmo efeito. Os pesquisadores concluíram que se os refrigerantes prejudicam os ossos, provavelmente é porque as pessoas os tomam no lugar do leite. Mas outro estudo, registrado em 2006, por pesquisadores da Universidade de Tufts em Boston, sugere que os refrigerantes à base de colas especificamente podem ser problemáticos. Entre as 1413 mulheres cujos registros dietéticos e mapeamento em densidade óssea foram revistos, as que ingeriam colas diet ou regulares no mínimo 3 vezes por semana em período de 5 anos, tiveram perda significativamente maior na densidade óssea do que as que as ingeriam uma vez por mês ou menos. Nenhum outro efeito similar ocorreu com outras bebidas carbonatadas, mesmo após os pesquisadores trabalharem com a ingestão de cálcio em alimentos. A causa provável? Ácido fosfórico, que é inerente às bebidas baseadas em colas. Quando o organismo quebra este composto, a acidez (ou concentração de íons livres de hidrogênio) do sangue aumenta. Para neutralizar a acidez, os íons de hidrogênio se ligam aos minerais, inclusive cálcio e magnésio. Se não estiverem livres no sangue, o organismo retira cálcio dos ossos. O consumidor casual de bebidas à base de cola não precisa se preocupar. O risco real está situado naqueles que bebem refrigerantes à base de cola todos os dias. Os especialistas também aconselham parar com o consumo de refrigerantes como forma de reduzir a obesidade infantil. Ou no mínimo voltar o refrigerante ao seu lugar de bebida para ocasiões especiais. Há muitas crianças hoje que tomam refrigerantes por todo o dia e consomem assim 1000 kcal por dia na forma de doce líquido. Se esse consumo se limitasse a uma vez por semana, ajudaria a prevenir ou reduzir a obesidade infantil. Há muitas razões para deixar o hábito regular de consumo de refrigerantes. Carbonatação é uma delas. Ao contrário, água mineral com gás algumas vezes contém um pouco de cálcio e magnésio, e assim pode até mesmo beneficiar os ossos. Que tal substituir refrigerante por leite achocolatado? Qual a criança que não gosta de leite com chocolate? Muitas crianças não gostam de leite. Mas toda mãe (ou responsável) sabe que o cálcio é necessário na dieta diária. Assim inclui-lo mesmo que saborizado ou otimizado é válido. Inclusive colocando uma colherada de chocolate em pó no leite. Leite achocolatado têm tanto açúcar quanto refrigerante. De acordo com os dados nutricionais da USDA, uma xícara de leite achocolatado tem 25g de açúcar, ao passo que uma xícara de refrigerante tem 26g e uma xícara de suco de laranja 100% tem 21g de açúcar. Mas não podemos deixar de mencionar que somente metade dos açúcares do leite achocolatado (12g) são açúcares adicionados, o tipo que as pessoas devem realmente se preocupar. O restante são açúcares naturais, e assim uma xícara de leite achocolatado tem somente 13g de açúcares. O ponto maior a ressaltar é que o leite, normal ou com chocolate, é uma dose repleta de vitaminas e minerais que crianças, e adultos também necessitam. Flavorizado ou não, o leite fornece cálcio (1 xícara fornece 1/3 das necessidades diárias), vitamina D, riboflavina, niacina, fósforo e proteínas. Razões para deixar de consumir refrigerantes: • Deficiência em nutrientes: Os refrigerantes estão repletos de calorias vazias, com falta de qualquer nutriente, e estas calorias geralmente são convertidas em gordura. Os refrigerantes também roubam os nutrientes do organismo pela substituição de leite, sucos e água, e o consumo deles está associado com menor ingestão de vitaminas, minerais e fibras dietéticas. • Osteoporose: estudos indicam que a ingestão de refrigerantes à base de colas está associada com baixa densidade de medula óssea em mulheres. Outro estudo concluiu que o alto consumo de bebidas carbonatadas e o declínio de consumo de leite é de grande significância para a Saúde Pública de meninas e mulheres, por conta da tendência à osteoporose na vida posterior. O teor em fosfato de alguns refrigerantes é alto e isso conduz a altos níveis de fosfato e baixo nível de cálcio na corrente sanguínea. Como os níveis em fosfato são altos em alguns refrigerantes e baixos em cálcio, o cálcio é retirado dos ossos. • Obesidade: os refrigerantes são fontes primárias de açúcares adicionados na dieta e excedem o consumo de açúcares totais recomendados. Uma lata de refrigerante com 330ml por dia se traduz em mais de ½ kg de ganho de peso a cada mês. Estudo realizado no Departamento de Nutrição da Escola Havard de Saúde Pública em Boston, indica que o alto consumo de refrigerantes está associado com ganho de peso e obesidade. A obesidade também contribui para outros problemas em saúde como diabetes, doenças cardiovasculares, dores nas costas, etc. • Diabetes: o consumo de refrigerantes está associado com ganho de peso e aumento de risco para desenvolvimento do diabetes tipo 2, fornecendo calorias excessivas e grandes quantidades de açúcares rapidamente absorvíveis. • Cálculos renais: resultados de um estudo humano demonstraram aumentos do nível urinário em magnésio, citrato e oxalato após o consumo de refrigerantes à base de colas, contribuindo também para a formação de cálculos renais. Outro estudo provou que o consumo de colas causam mudanças desfavoráveis nos fatores de risco associados com a formação de cálculos de oxalato de cálcio. • Gota: estudos em adultos sugerem que o consumo de refrigerantes adoçados com açúcar está associado com altos níveis em ácido úrico, aumentando significativamente o risco de gota. • Dentes: estudos provaram que o consumo de refrigerantes provoca erosão do esmalte dentário. Os resultados de um estudo realizado em dentes infantis sugerem que o consumo de refrigerantes carbonatados é um risco indicador para cáries dentárias. • Cafeína: refrigerantes contêm cafeína em altas dosagens, o que causa elevação da pressão, desidratação, distúrbios gastrintestinais, irritabilidade, tensão, insônia, urinação excessiva, batimentos cardíacos irregulares e outros efeitos colaterais. • Acidez: os refrigerantes têm pH ácido de 2,5. A escala de pH varia do 0 ao 14 para a maioria dos líquidos, com 0 sendo o mais ácido e 14 sendo o mais alcalino. Um estudo recente conduzido na Universidade da Califórnia em São Francisco em 9000 mulheres demonstrou que as portadoras de acidose crônica estavam em maior risco de perda óssea que as de níveis normais de pH. A acidose suave pode levar à azia, fadiga, deficiência imunológica, gota e candidíase, e as células cancerosas têm maior chance de sucesso em meios ambientes ácidos. Referências bibliográficas: 1. USDA National Nutrient Database for Standard Reference. 2. The Physics Factbook. 3. Harnack L, Stang J, Story M. Soft drink consumption among US children and adolescents: nutritional consequences. J Am Diet Assoc. 1999 Apr;99(4):436-41. PMID: 10207395. 4. Tucker KL, Morita K, Qiao N, Hannan MT, Cupples LA, Kiel DP. Colas, but not other carbonated beverages, are associated with low bone mineral density in older women: The Framingham Osteoporosis Study. Am J Clin Nutr. 2006 Oct;84(4):936-42. PMID: 17023723. 5. Wyshak G, Frisch RE. 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