Efeitos dos produtos lácteos e cálcio dietético em exercícios

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CPT - Centro de Produções Técnicas

por Dra. Licinia de Campos, nutricionista O aumento da incidência em obesidade e suas co-morbidades torna esse problema um grande desafio para a Saúde Pública e a Nutrição. Há uma demanda urgente de estratégias dietéticas simplificadas, objetivando a redução ativa do peso assim como a sua manutenção. As evidências apontadas em estudos recentes indicam o cálcio dietético como potencial na regulação do peso corporal, particularmente se o cálcio for derivado de fontes lácteas. Já foi hipotetizado que o baixo consumo de cálcio conduz ao aumento dos níveis de cálcio intracelular, o que por sua vez, promove em reciprocidade a síntese lipídica e inibe a biólise. Trabalhos realizados em laboratórios demonstraram que o alto consumo de cálcio por intermédio dos lácteos e vitamina D no café da manhã, aumentam a oxidação pós-prandial e a termogênese e prolongam a saciedade por até 30 horas. Esta evidência foi complementada com intervenções em humanos, demonstrando que o cálcio lácteo aumenta a quantidade de perda de peso e de gordura em dietas hipocalóricas. Os exercícios, tanto de resistência quanto os aeróbicos, são conhecidos por seus múltiplos benefícios em saúde, incluindo a habilidade em aumentar a oxidação lipídica e o gasto energético. Tradicionalmente, os exercícios de resistência, com fator cardio-respiratório, e em particular os exercícios com peso foram eleitos como os mais apropriados devido à sua facilidade de acesso, custo baixo e necessidade de pouca habilidade. E por esse motivo, as terapias alternativas, via treinamento em resistência, estão ganhando a preferência de indivíduos. Os exercícios de resistência são também de interesse particular, pois ajudam a manutenção da massa magra durante a perda de peso. Os produtos lácteos também podem dar suporte à recuperação dos músculos após os exercícios, de acordo com um estudo publicado na edição de agosto/2009 no Journal of Applied Physiology, Nutrition and Metabolism. Os pesquisadores descobriram que certas proteínas e carboidratos encontrados no leite ajudam a mitigar o dano dos músculos induzidos pelos exercícios. A dor prolongada nos músculos, a atuação isocinética muscular, a creatina quinase e a mioglobina foram verificadas imediatamente antes e 24 e 48 horas após o dano muscular. O estudo descobriu que a dor prolongada nos músculos foi significativamente diferente (p > 0,05) entre os grupos em todos os tempos, mas outras medidas foram favoráveis quando houve suplementação de leite e derivados, resultando em atenuação e mesmo diminuição da atuação muscular isocinética e aumento da creatina quinase e da mioglobina. O estudo deu suporte para o crescente volume de literatura que sugere que o leite é uma poderosa ajuda para recuperação pós-exercício. Os resultados demonstraram que, quando consumido imediatamente após os exercícios de resistência, danificadores dos músculos, tanto o leite semi desnatado quanto o leite rico em carboidratos ajudaram a preservar mais músculos que as bebidas energéticas ou água, segundo o Dairy Council. Os pesquisadores concluíram também que a proporção de carboidratos e de proteínas no leite complementam uma à outra, porque os carboidratos repõem a energia enquanto as proteínas reconstróem os músculos. Especularam que o leite achocolatado é melhor para a recuperação que o leite puro, por conta da presença dos açúcares extras. Ciclistas que consumiram leite achocolatado rodaram cerca de 50% mais longe que os que tomaram bebidas protéicas e quase tão longe quanto os que beberam preparações isotônicas. Nos Jogos Olímpicos de Beijing, o leite achocolatado foi distinguido junto aos atletas de alta produtividade, como os nadadores americanos, ganhadores de várias medalhas de ouro. O próprio Michael Phelps foi visto ingerindo-o regularmente. Funções do cálcio no organismo Em geral, a maioria das pessoas não tem idéia das múltiplas funções que o cálcio exerce no nosso organismo. Segue abaixo algumas delas: 1. O cálcio é responsável pela construção, formação e manutenção dos ossos e dentes. Esta função ajuda a reduzir a ocorrência de osteoporose; 2. É um componente vital no sistema de coagulação sanguínea e ajuda na cicatrização; 3. Ajuda a controlar a pressão, transmissão nervosa e liberação de neurotransmissores; 4. É componente essencial na produção de enzimas e hormônios que regulam a digestão, energia e metabolismo das gorduras; 5. Ajuda a transportar íons (partículas carregadas eletricamente) através das membranas celulares; 6. É essencial à contração muscular; 7. Dá suporte na manutenção de todas as células e tecidos conectivos do organismo humano; 8. É útil na redução da incidência de doenças cardíacas precoces, especialmente quando há ingestão adequada de magnésio; 9. Ajuda a prevenir a doença periodental (doenças da gengiva) Consequências de deficiência do cálcio 1. A deficiência do cálcio em conjunto com ingestão alta de sódio está relacionada com maiores riscos de hipertensão; 2. A deficiência do cálcio pode levar à perda de cálcio dos ossos (inicialmente da mandíbula e da espinha dorsal) o que induz à deformidades; 3. A deficiência do cálcio causa extrema sensibilidade dos nervos, espasmos musculares, e caimbras nas pernas (chamada de tetania) quando este se encontra em níveis muito baixos no sangue. Referências bibliográficas: • Chan She Ping-Delfos, Wendy. Effects of dairy products and resistance exercise on energy balance. National Library of Australia. 2010. • Cockburn, E et al. Acute milk-based protein-CHO supplementation attenuates exercise-induced muscle damage. Applied Physiology, Nutrition and Metabolism. Volume 33. 2008. • Merret, Neil. Study suggests chocolate milk exercise recovery boost. Disponível em www.dairyreport.com. • International Dairy Federation. Dairy for good health. Disponível em www.idfdairynutrition.org. . Fonte: Informativo Leite & Saúde – Láctea Brasil,.  adaptado pela Equipe Milknet.

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