Vacina contra carrapato bovino vai beneficiar produçãode leite orgânico

0
178
CPT - Centro de Produções Técnicas

O desenvolvimento de uma vacina contra carrapatos em bovinos cuja atividade está relacionada ao processo de coagulação a partir de uma proteína denominada BMTI vem sendo estudada pelo pesquisador Renato Andreotti, médico veterinário da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande/MS). O tema foi abordado na última semana, em palestra realizada na Embrapa Rondônia (Porto Velho–RO) como atividade da parceria entre as duas Unidades da Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e a Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora–MG). As três Unidades desenvolvem em conjunto o projeto “Desenvolvimento tecnológico de sistemas orgânicos de produ ção agropecuária sustentáveis”. A vacina é uma das alternativas mais promissoras para o controle do ectoparasita, um dos principais gargalos do projeto na visão do pesquisador João Paulo Guimarães Soares, da Embrapa Rondônia. “O antígeno é uma alternativa para a produção de leite e de carne com qualidade em âmbito nacional. Uma das dificuldades já comprovadas em sistemas orgânicos de produção é o controle de carrapatos”, explica Soares. O antígeno BMTI inibe a fixação da larva do carrapato em bovinos e comprovou uma eficiência de até 72,8% em ensaios preliminares desenvolvidos pelo pesquisador Renato Andreotti em Campo Grande. “É importante ressaltarmos que a vacina é eficiente somente em sistemas de manejo integrado. Não adianta o produtor vacinar seu gado e esquecê–lo no pasto”, alerta o pesquisador. Andreotti se refere, entre outros fatores, à identificação no rebanho de animais predispostos a infestações mais severas, contabilizados em até 20% das cabeças. “Estes animais são mais propensos e produzem a maioria dos carrapatos. O produtor deve identificá–los e planejar o descarte”, explica. As vantagens da vacina com o antígeno BMTI, segundo o pesquisador, vão desde a sensibilização do sistema imunológico do animal ao estímulo da produção de anticorpos. “Ela inibe que o carrapato desenvolva a ação anticoagulante no sangue dos bovinos e então crie condi ções ideais para o parasitismo”, diz. Como já existe no mercado um antígeno chamado BM86, os pesquisadores irão avaliar posteriormente a BMTI para o controle de carrapatos em bovinos no sistema em conversão para a produção orgânica de leite. A recomendação é de três doses iniciais, seguidas de reforços a cada seis meses. O pesquisador diz que os estudos estão voltados atualmente para a identificação de seqüências de genes do carrapato relacionadas às diversidades regionais. “Depois de mapeadas, devemos encontrar proteínas recombinantes para capacitar o produto em todas as condições”, completa Andreotti. A pesquisa O sistema de produção orgânica de leite não permite a utilização de nenhum produto químico no controle sanitário do rebanho, preconizando a utilização de fitoterapia e homeopatia. Todas as vacinas são permitidas. Num primeiro momento será utilizada a vacina com o antígeno BM86 com eficácia na vida parasitária do carrapato no sistema em conversão para produção orgânica de leite na Embrapa Rondônia. O antígeno BM86 foi desenvolvido a partir de uma proteína encontrada no tubo digestivo do parasita. Quando aplicado em bovinos, causa lesão no tubo digestivo do carrapato atrapalhando seu desenvolvimento na vida parasitária. Em conseqüência, ocorre a redução do número de ovos na postura. A eficiência pode chegar a 60%. Em sistemas rotativos espera–se ampliar esse efeito, segundo o pesquisador Renato Andreotti. (Fonte: Tribuna de Alagoas)

Deixe uma resposta