Clima desfavorável diminui captação e preço volta a subir

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Adversidades climáticas em janeiro diminuíram o volume de produção de leite na maioria das praças pesquisadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. O Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L) caiu 3,1% em janeiro frente ao mês anterior – considerando os meses de janeiro, este foi o maior recuo do ICAP-L/Cepea registrado para o período desde 2006. Vale ressaltar, no entanto, que o volume captado em janeiro/10 ainda é 4,2% superior ao do mesmo período de 2009. A estiagem observada em algumas regiões de Minas Gerais, o elevado volume de chuvas no estado de São Paulo e o excesso de calor no Sul do País prejudicaram a produção de leite no Brasil. Nesse cenário, o preço médio bruto pago ao produtor foi de R$ 0,6184/litro em fevereiro (referente à produção de janeiro), valor 3,6% (ou 2,15 centavos) superior ao do mês anterior e 3,4% maior que o do mesmo período do ano passado. Essa foi a primeira alta nos preços do leite depois de cinco meses de consecutivas quedas. Em algumas regiões de Minas Gerais não chove há mais de 30 dias, de acordo com agentes colaboradores do Cepea. Com isso, a produção de pastagem foi prejudicada e o volume de leite captado em janeiro diminuiu 3,4% no estado mineiro de dezembro para janeiro. Isso fez com que houvesse, até mesmo, uma maior disputa entre as empresas do setor para adquirir a matéria-prima. Já em São Paulo, foi o excesso de chuvas que dificultou a manutenção da higienização dos animais, o que compromete a qualidade do leite produzido. Além disso, as precipitações de janeiro prejudicaram o transporte de leite, já que atrapalham o acesso às fazendas produtoras. A redução da captação no estado paulista foi de 4,1% entre dezembro/09 e janeiro/10. No Sul do País, as altas temperaturas em janeiro prejudicaram o bem estar animal, principalmente no Rio Grande do Sul. De acordo com colaboradores do Cepea, a maior parte do rebanho local é de origem européia (raça que sofre mais com o clima quente), comprometendo, conseqüentemente, a produção de leite. O ICAP-L/Cepea do estado gaúcho diminuiu 4,1% em janeiro. O início da entressafra e o clima desfavorável na maior parte das regiões produtoras do Brasil tendem a impulsionar os preços nos próximos meses. De acordo com levantamento feito pelo Cepea, 92,3% dos agentes do setor entrevistados (que representam 94,6% da aquisição de leite da amostra) acreditam em alta para o pagamento de março, enquanto 6,2% (responsáveis por 2% do volume de leite amostrado) apostam na estabilidade de preços. Apenas 1,5% dos agentes consultados pelo Cepea (que representam 3,4% do volume da amostra) acreditam em queda nos preços do leite em março. Em janeiro, os preços dos derivados lácteos pesquisados pelo Cepea também sinalizaram recuperação. O leite longa vida, negociado no atacado paulista, foi o produto que mais subiu de dezembro para janeiro, fortes 10,9%, com a média passando para R$ 1,34/litro. O queijo mussarela comercializado na mesma praça valorizou 8,06% em janeiro, fechando a R$ 8,28/kg. Já o preço médio do leite em pó caiu 2,8% no atacado de São Paulo, para R$ 8,63/kg. O leite pasteurizado permaneceu estável de dezembro para janeiro, a R$ 1,16/litro. Em fevereiro, entretanto, há sinais de novas valorizações dos derivados. FEVEREIRO – Minas Gerais e Goiás apresentaram as maiores altas no valor pago ao produtor em fevereiro. Houve aumento de 3,3 centavos por litro no preço do leite no estado mineiro, com a média a R$ 0,6431/l, e de 3,2 centavos por litro em Goiás, a R$ 0,6113/l. Em São Paulo, a média de preços foi de R$ 0,6257/l em fevereiro, aumento de 0,8 centavo por litro (1,3%) em relação à de janeiro. Na Bahia, houve alta de 1,2 centavo por litro, fechando a R$ 0,5806/l, e no Paraná, de 2,6 centavos por litro, a R$ 0,6170/l. Os preços subiram em menor intensidade no Rio Grande do Sul, onde a média foi de R$ 0,5678/l e a alta de 0,6 centavo por litro ou de 1,1%. Já em Santa Catarina, houve leve recuo de 0,4 centavo por litro em fevereiro, fechando à média de R$ 0,5951/l. No Rio de Janeiro, houve aumento de 2,4 centavos por litro, com média de R$ 0,5505/l e em Mato Grosso do Sul, o preço médio foi de R$ 0,4901/l, alta de 0,9 centavo por litro (1,9%). Fonte: Cepea/Esalq/USP, adaptado pela Equipe Milknet 25/02/2010

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