Qualidade do leite: a indústria exige e o produtor atende

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CPT - Centro de Produções Técnicas

O mercado de leite nacional está numa fase de recuperação de preços. Para os pagamentos referentes às produções entregues em janeiro e em fevereiro, houve reajuste médio de 4,26%, com expectativa de alta entre 3% e 5% para o próximo pagamento. No mesmo período, a variação média registrada em Minas Gerais foi de 5,42%.

O Estado é o maior produtor de leite do País, responsável por quase 30% da produção nacional. O fato é que os preços recebidos pelos produtores variam muito, até dentro de uma mesma região. A qualidade da matéria-prima, o volume a ser entregue, o fato de o leite estar ou não refrigerado e a fidelidade do produtor com a indústria são fatores levados em consideração na formação do preço.

O que tem se observado nos últimos meses, em Minas Gerais, é que as indústrias estão procurando, de maneira geral, uma matéria-prima de melhor qualidade. Para manter-se na atividade, o produtor precisa oferecer um produto que atenda às exigências do mercado. Atualmente, uma das maiores exigências diz respeito, justamente, à qualidade do leite. Observe a figura 1. Veja que a diferença entre os valores máximos e mínimos pagos aos produtores na região do Triângulo Mineiro, a principal bacia leiteira do Estado, vem diminuindo mês a mês.
Não é que o leite de menor qualidade tem se valorizado mais do que o leite de melhor qualidade. A interpretação correta dessa figura é que as indústrias do Triângulo Mineiro têm procurado uma matéria-prima melhor, com maior rendimento, e os produtores estão respondendo a essa demanda. Aqueles que não conseguem oferecer esse produto estão abandonando a atividade.

Entenda: Leite de qualidade vale mais do que leite sem qualidade. A partir do momento que o mercado exige um produto melhor, e o setor atende a exigência (elevando os padrões mínimos de qualidade), a tendência é que os valores mais baixos – referentes à matéria-prima que era de pior qualidade – se elevem. Ou seja, a qualidade da base está melhorando, levando à reação dos preços mínimos. Vale lembrar que 2006 foi um ano difícil para a pecuária leiteira. No ano passado o preço médio pago ao produtor caiu ao patamar mais baixo da história, com base em valores corrigidos pelo IGP-DI. Porém, no Triângulo Mineiro, em nenhum momento dos últimos 14 meses os preços mínimos pagos aos produtores sofreram retrações. E aqueles que estão no topo, oferecendo às indústrias os produtos de melhor qualidade, também têm colhido bons resultados.

De acordo com estudo realizado pela Scot Consultoria, em que foram analisados os comportamentos dos preços do leite pagos aos produtores em Minas Gerais, de janeiro de 2006 a fevereiro de 2007, observou-se que os maiores valores pagos, que se referem à matéria-prima de melhor qualidade, foram, em média, 16% superiores ao preço médio do Estado. No caso da região do Triângulo Mineiro, a diferença média chegou a 20%, no mesmo período.

Há alguns anos, quando começaram as discussões sobre a Instrução Normativa 51, que estabelece os requisitos mínimos para produção, qualidade e identidade do leite, muito se falava sobre a preocupação com os pequenos produtores se enquadrarem às novas exigências, uma vez que são a grande maioria dos fornecedores de leite do País, muitos ainda produzindo em sistemas “tradicionais”. No entanto, a Instrução Normativa não exclui nenhum produtor, contrariando o que se pensava. A IN 51 atribui parâmetros e critérios para definir qualidade do leite.

É uma oportunidade de se enquadrar no mercado de leite. O que exclui os produtores da atividade é o próprio mercado, quando as empresas não se adaptam às necessidades. As exigências em produtividade, profissionalismo gerencial e qualidade da matéria-prima são consideráveis. O produtor que não as atende está propenso a sair da atividade.

É a profissionalização do setor. Ainda falta muito a fazer, existem muitos mercados a conquistar e muitas variáveis a discutir. Mas o setor leiteiro está no caminho certo. Autora: Cristiane Turco, médica veterinária, Scot Consultoria.

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