Forte na região, Paraná aposta no leite para diversificar produção rural

Em 2015, Estado obteve 4,7 bilhões de litros e foi um dos destaques do Brasil no setor. Na Cantuquiriguaçu, seis municípios se destacaram nos últimos anos a nível nacional.

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CPT - Centro de Produções Técnicas

O Paraná aposta na consolidação da diversificação da produção na pequena e média propriedade. E a produção de leite vem se destacando em um cenário predominantemente de grãos e desponta como setores importantes na geração de renda nas propriedades rurais, incluindo na Cantuquiriguaçu

Segundo o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, o Paraná trabalha investimentos em parcerias com a iniciativa privada para intensificar o treinamento dos produtores de leite, aumentando a eficiência na pequena e média propriedade rural.

De acordo com o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), Francisco Simioni, a intensificação da produção é favorecida pelo clima. Além disso, há mercados consumidores próximos, como o de Cascavel, Toledo, Foz do Iguaçu e de estados vizinhos, como Mato Grosso do Sul e São Paulo, onde podem ser comercializados parte da produção de forma agregada.

De acordo com Simioni, com um sistema de produção bem planejado, espera-se que ocorra o crescimento a curto e médio prazo. “Os produtores estão cientes de que precisam diversificar as atividades nas pequenas e médias propriedades para geração de renda”, disse Siminoni.

“Somente produzindo grãos eles não sobrevivem mais diante de um processo intensivo de modernização e ganhos de escala, como forma de driblar e amenizar os elevados custos de produção”, disse Simioni.

 

Produção

O Paraná obteve 4,7 bilhões de litros de leite no ano passado e quase encostou no Rio Grande do Sul, segundo estado que mais produz leite no País. O primeiro produtor é Minas Gerais.

A decretaria da Agricultura e do Abastecimento e as empresas vinculadas Emater e Iapar concentram esforços no desenvolvimento de programas de fomento, como Leite Sudoeste, Leite Arenito e no Norte Pioneiro, para formação de polos de produção nessas regiões. Apesar disso, a região campeã em qualidade do leite continua sendo a dos Campos Gerais.

Conforme Fábio Mezadri, médico veterinário do Deral, a região Sudoeste se destaca como a maior bacia leiteira no Estado em volume de produção, graças às políticas públicas executadas nos últimos cinco anos.

 

Região

Segundo estimativa calculada pela Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2014 seis municípios da Cantuquiriguaçu estiveram no top 200 em produção de leite no país. Juntos, tiveram uma produção de 227.805 litros de leite no período.

O grande destaque foi Rio Bonito do Iguaçu, que ficou entre os 15 do Paraná e entre os 80 do Brasil na época, com uma produção de 47.450 de litros.

Ainda na região, Catanduvas ficou no top 100 com uma produção de 43.700 litros/ano, seguido de Três Barras do Paraná – 125º no ranking nacional – com 40.095.

A lista divulgada pelo Instituto na época ainda contava com Guaraniaçu (36.000 litros/anos), que ocupou a 149º posição, Palmital (31.200), que ficou em 197º e Quedas do Iguaçu (31.060), na 200º em nível nacional.

 

Elevação

Neste ano, a atividade leiteira proporcionou uma elevação de 44% no preço recebido pelo produtor, mas essa reação foi acompanhada na mesma proporção pelo custo de produção, que em algumas propriedades subiu até 50%, salientou Mezadri.

Segundo ele, o produtor foi surpreendido pela elevação no custo dos equipamentos e medicamentos, muitos cotados em dólar, moeda que se manteve valorizada no primeiro semestre. Para agravar a situação, o custo da ração também aumentou, com a elevação de 67% nos preços do milho, um dos principais insumos utilizado na alimentação dos animais. E as áreas de pastagens de inverno, também usadas na alimentação dos animais, não tiveram bom desenvolvimento por causa das chuvas excessivas seguidas após o plantio.

Em julho deste ano, o produtor recebeu R$ 1,40 por litro de leite entregue, enquanto no mesmo período do ano passado recebeu R$ 0,97 por litro. Por outro lado, pagou R$ 34,69 a saca de milho para alimentação dos animais, enquanto no mesmo mês do ano passado pagou R$ 20,74 a saca.

 

Tendência

Segundo o Deral, a tendência daqui para frente é que os preços baixem, porque os fatores que influenciaram na alta do produto estão mais amenos. O câmbio se acomodou e o clima começa a favorecer o desenvolvimento das pastagens de verão.

A tendência é fortalecer ainda mais a cadeia produtiva do leite. O Paraná é um dos integrantes da Aliança Láctea, formada há dois anos com Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os três estados possuem características semelhantes de produção e buscam a formação de um polo diferenciado de leite no Brasil, com volume e qualidade, visando a exportação.

Juntos já produzem mais de 11 bilhões de litros de leite por ano, superando a produção da Argentina. Eles estão buscando se igualar nos aspectos de sanidade e qualidade da produção, tributários e de remuneração ao produtor.

Segundo Mezadri, esse é um desafio que, se vencido, vai influenciar no aumento da produção e na queda dos custos, além de atrair indústrias de elevada tecnologia para processamento.

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