Probióticos e sua importância para o consumidor

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Os probióticos são caracterizados como alimentos funcionais, compostos por microorganismos vivos que atuam na manutenção ou melhora da saúde. As bactérias que mais se destacam nesse processo são as Lactobacillus e Bifidobacterium, e uma levedura não patogênica, a Saccharomyces boulardii (SANTOS, VARAVALLO, 2011). Os bacillus apresentam vantagens sobre as ácido-láticas uma vez que se apresentam mais resistentes ao trânsito gástrico.
Sabe-se que o nosso organismo apresenta elevada quantidade de bactérias, as quais se relacionam em simbiose conosco. Essa interação é necessária particularmente no trato digestório, uma vez que nos auxilia na proteção contra agentes xenobióticos, favorece o processo digestivo e ainda participa da transformação de substratos em compostos necessários para o metabolismo do ser humano (OLIVEIRA et al. 2002).
A principal atuação destas substâncias pode ser observada na modulação da microbiota intestinal, na qual as colônias de bactérias benéficas se alojam e se sobrepõem às patógenas, causando uma relação positiva na colonização. Quando há esse equilíbrio, aquelas que são potencialmente patogênicas sofrem uma competição, diminuindo as suas chances de colonizarem a mucosa intestinal.  Os riscos de doenças e infecção bacteriana também serão diminuídos, além de outros benefícios à saúde relacionados ao bom funcionamento intestinal como estimulação de células imunomoduladoras (que preservam a integridade intestinal) e aumento da absorção de vitaminas e minerais.
Sendo assim, elas podem ter funções preventivas ou terapêuticas, podendo evitar doenças provenientes de uma microbiota desregulada (com colonização na qual prevalece os microorganismos não desejáveis) ou estimular a produção de substâncias bacteriostáticas (bacteriocinas, ácido e peróxido de hidrogénio) que podem inibir a proliferação de alguns microrganismos patógenos, ou ainda, atuar com a inibição competitiva da adesão epitelial do intestino (SERVIN, 2004).
Outras ações, que contribuem para um bom funcionamento do organismo, também podem ser verificadas, como promoção do crescimento e alta influência no desenvolvimento do sistema imunológico (COPPOLA, TURNES, 2004). Esse efeito imunomodulador está relacionado com a resposta desencadeada pela exposição de bactérias, que promovem um tipo de aprimoramento desse sistema quando entram em contato novamente com a mesma bactéria, chamada de reconhecimento (COPPOLA, TURNES, 2004).
Várias questões estão envolvidas na construção de uma microbiota, podendo variar do tipo de parto que o indivíduo nasceu, passando pela introdução da alimentação, até antibióticos utilizados ao longo da vida do indivíduo (VAARALA, 2003 apud MATOS, 2010). É importante ressaltar que mais uma vez a alimentação se faz presente e de forma determinante na construção da saúde do indivíduo essencialmente nos primeiros dias de vida com a inserção do leite materno, o qual estimula o crescimento de bactérias do tipo bifidum, através do ambiente favorável que é criado, e também há uma maior aderência a essas bactérias através da mucosa. A motilidade intestinal é vista como fundamental nesse processo de equilíbrio, pois contribui para que o alojamento das bactérias indesejáveis sejam menores possíveis, sendo que essas se dissipam num menor conteúdo do intestino.
Na indústria, cepas de microrganismos são cultivados, isolados e acrescentados a alimentos. Eles podem ser usados como suplementos dietéticos para um aporte nutritivo adicional, uma vez que melhoram a digestão e absorção de alguns nutrientes por parte dos enterócitos do indivíduo. Porém, eles devem ser compatíveis e específicos, apontando segurança para seu consumo. No entanto, devem possuir algumas peculiaridades tais como: serem metabolicamente ativos; apresentarem capacidade de resistir ao pH ácido ao passar pelo tubo digestivo; devem estar aptos a aderir e colonizar a mucosa do intestino interagindo com outras espécies; estimular o sistema imune; produzir substâncias anti-microbianas, ao mesmo tempo que primam pela ausência de genes determinantes na resistência aos antibióticos (SAAD, 2006).
Além de suplementos dietéticos, os probióticos podem ser encontrados em alimentos fermentados de uso diário como leite e iogurtes, por exemplo. O iogurte é um produto elaborado com culturas ativas de bactérias láticas que fermentam a ácido lático. Diferentemente do leite, que não é um meio favorável à multiplicação de cepas devido à baixa atividade proteolítica e, assim, retrata uma multiplicação mais lenta. Porém, são usados recursos para essa inclusão, como inserção de bactérias do iogurte no leite (KOMATSU, BURITI, SAAD, 2008).
A ação dos probióticos nas fermentações durante a elaboração de lácteos pode levar a alterações na conservação, como no caso do leite, através da produção de ácido lático; alteração da palatabilidade através da produção de compostos como o acetaldeído; aumento do teor nutricional do produto final, e outros (PARVEZ et al. 2006 apud KOMATSU, BURITI, SAAD, 2008).
Para melhor atender aos consumidores, as empresas trabalham com o aprimoramento da tecnologia da produção de lácteos a fim de trazer para o mercado uma maior variedade de opções de quantidade e variedade de probiótico, visando unir a saúde e bem estar do indivíduo com características sensoriais mais agradáveis ao consumi-los.
Por: Mariana Bretas – estudante do curso de nutrição da Universidade Federal de Juiz de Fora
Revisão: Prof. DSc. Renato Moreira Nunes – professor na Universidade Federal de Juiz de Fora
Referências
COPPOLA, M. M.; TURNES, C. G. Probióticos e resposta imune. Ciência Rural, v. 34, n.4, jul-ago, 2004.
KOMATSU, T. R.; BURITI, F. C. A.; SAAD, S. M. I. Inovação, persistência e criatividade superando barreiras no desenvolvimento de alimentos probióticos. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences. vol. 44, n. 3, jul./set., 2008
MATOS, P. Probióticos. 2010. Dissertação (Mestrado Integrado em Medicina). Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto, Porto.
OLIVEIRA, M. N.; SIVIERI, K.; ALEGRO, J. H. A.; SAAD, S. M. I. Aspectos tecnológicos de alimentos funcionais contendo probióticos. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas. Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences vol. 38, n. 1, jan./mar., 2002.
SANTOS, T. T., VARAVALLO, M. A. A importância de probióticos para o controle e/ou reestruturação da microbiota intestinal. Revista científica do Itipac. V. 4, n. 1, Jan., 2011.

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