CPT - Centro de Produções Técnicas

A empresa de alimentos Mococa, produtora de laticínios, encerrou em fevereiro a operação da fábrica de leite UHT em Cerqueira César, no interior de São Paulo. A decisão, implementada na semana anterior ao carnaval, interrompeu a produção de cerca de 500 mil litros/dia do leite de caixinha. Pelo menos 157 trabalhadores foram demitidos.

“Foi uma decisão estratégica da empresa”, afirmou Max Schaefer, diretor de administração e finanças da Mococa. Segundo o executivo, a Mococa negocia a venda da unidade de Cerqueira César, mas vai manter a operação da unidade do município de Mococa, local de nascimento da empresa, em 1919.

“Nós estamos revendo o nosso mix de produtos e investindo em uma nova unidade para produção de achocolatados em Alagoas”, disse o diretor da empresa. Desde o dia 6 de fevereiro a Mococa não fez mais a captação do leite nas propriedades fornecedoras na área de Cerqueira César. Fornecedores da região reclamam do encaminhamento da decisão de fechar a fábrica. “A Mococa fechou as portas e não avisou os produtores de leite. Isso é desrespeito”, argumenta o produtor Tadeu Vilalta. Segundo ele, o leite “está sendo jogado fora porque a empresa deixou de fazer a coleta de um dia para o outro e não avisou os produtores”. Nos últimos dias, fornecedores passaram a procurar outras empresas para vender a produção.

Vilalta postou um protesto numa rede social criticando a interrupção da coleta. Para ele, a empresa deveria ter informado os fornecedores “com pelo menos 30 dias de antecedência”. Ele acrescenta que “não se discute a decisão da empresa de fechar. Isso é uma decisão comercial deles”. “Mas o produtor também não pode ser surpreendido sem aviso da decisão”, argumenta.

Segundo o produtor Paulo de Tharso Bittencourt, que produz cerca de 2 mil litros por dia e que até o dia 5 de fevereiro vendia para a empresa, a decisão da Mococa era esperada. Ele sustenta também que os fornecedores deveriam ter sido avisados para que pudessem buscar uma solução para a entrega. “Eu já estava vendo indícios disso”, diz o advogado e produtor, lembrando que tem a receber da Mococa o fornecimento de janeiro e dos primeiros dias de fevereiro no valor de cerca de R$ 75 mil. “Eu não sei o que os outros produtores vão fazer; eu sei”, afirmou, adiantando que vai à Justiça.

A empresa diz que os parceiros foram avisados. “Nós avisamos os parceiros dentro do normal”, respondeu Schaefer ao Estado. Segundo o diretor da empresa, a Mococa tem uma história de 99 anos e “não há histórico de conflito com fornecedores”.

Demissões e incertezas

Segundo o jornal eletrônico Piraju Regional News,  cerca de 200 funcionários foram demitidos. A reportagem diz ainda que uma assembleia foi realizada e o proprietário teria proposto um acordo de pagamento dos salários em oito vezes. Já o motivo do fechamento não foi revelado.

Em contato com a Prefeitura de Cerqueira César, o Piraju Regional News apurou que a informação do fechamento da empresa estava correndo a cidade e pegando todos de surpresa, até mesmo o prefeito Marcos Zaloti, que em maio de 2017 recebeu os gerentes da Mococa, Luís Fernando Bettanin e Filipe Oliveira, para uma conversa com o objetivo de fortalecer a pareceria entre empresa e município.

Na ocasião, relata o jornal, o prefeito garantiu aos empresários que a Prefeitura daria todo suporte necessário para que a empresa continuasse colaborando para o desenvolvimento da economia cerqueirense.

Foi falado ainda em abertura de mais vagas de emprego em consequência do aumento de produção pretendido pela Mococa, que até então beneficiava 600 mil litros de leite por dia e a expectativa era aumentar para 1 milhão/dia.

O jornal relata que a previsão se cumpriu, mas não se sabe porque a empresa estaria fechando as portas após 9 anos de atividades na cidade.

Bom negócio com retomada de preços

Para o analista de mercado leiteiro Valter Galan, “a produção de leite é um bom negócio”, mas o ano de 2017 foi difícil para os produtores. O preço médio do litro ao produtor no Estado de São Paulo, caiu de R$ 1,2321 em janeiro do ano passado para R$ 1,0709 no mês passado, segundo dados do Cepea/USP. “Isso dá uma redução de 13,1% no preço ao produtor”, calcula Galan.

Segundo o analista, a tendência de queda nos preços já começa a se inverter com um movimento de retomada em janeiro na relação atacado/varejo. Para ele, a retomada começou a se refletir em fevereiro com a melhora do valor do litro pago ao produtor. Galan explica que o mercado brasileiro de leite crescia entre 3% e 4% até 2015, mas o ano passado foi de queda. No País, segundo dados de Cepea/USP, a o preço médio ao produtor caiu de R$ 1,2152, em março de 2017, para R$ 0,9832 em janeiro último. O consumo nacional está em torno de 172 litros por pessoa ao ano, somados todos os produtor da cadeia de laticínio

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