Copo de Leite
CPT - Centro de Produções Técnicas

O preço do leite pago aos produtores subiu 14% em julho em relação ao mês anterior. Segundo o Cepea, o valor atingiu recorde real para o mês desde o início da série histórica da entidade, atingindo a sexta alta consecutiva. Desde o início do ano, o aumento acumulado real é de expressivos 44%.

O valor líquido recebido em julho (referente à captação de junho) fechou a R$ 1,4781 por litro na “média Brasil” que inclui estados como Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do sul, e não contém frete e impostos. Na comparação com julho de 2017, houve elevação de 15% em termos reais.

Aumento Expressivo no Preço do Leite

Segundo o instituto, o aumento expressivo em julho esteve atrelado à paralisação dos caminhoneiros, ocorrida no final de maio, e à tentativa do setor em normalizar suas atividades no pós-greve. Desabastecidos, os laticínios acirraram a competição para a compra de leite no campo no decorrer de junho, com o objetivo de recompor estoques. Além disso, o avanço da entressafra no Sudeste e no Centro-Oeste e o “atraso” das pastagens de inverno no Sul do país seguiram limitando a captação em junho, influenciando a formação dos preços ao produtor.

A valorização da matéria-prima também elevou as cotações dos derivados lácteos em junho. No entanto, em julho, o movimento altista não se sustentou. No acumulado da primeira quinzena de julho, o preço do UHT (leite longa vida) caiu 1,32% e, na segunda metade do mês (dados até 27/07), 9,4%, indicando a dificuldade do consumidor em absorver novas altas. Para agentes do setor, a queda dos preços reflete um novo equilíbrio do mercado, com a normalização dos estoques e com as cotações retornando a patamares condizentes com a demanda – ainda fragilizada por conta da estagnação econômica.

Cepea

Em orientação, o Cepea informa que é importante ficar atento aos preços do leite no mercado à vista. Durante a primeira quinzena de julho, os valores em Minas Gerais subiram 28,1% em relação ao mês anterior, mas, na segunda metade do mês, houve queda de 6,6%, o que mostra que empresas têm tido dificuldades em manter o ritmo de valorização do leite no campo.

Tendência

De acordo com pesquisadores do setor, a oferta deve seguir limitada, fundamentados no clima adverso e no encarecimento dos grãos, o que deve impedir a mudança de tendência no mercado. Assim, a maioria dos colaboradores entrevistados pelo Cepea acredita em uma nova alta para o próximo mês. No entanto, outra parte acredita em estabilidade nos valores em agosto, devido a dificuldades de consumidores em absorver novas valorizações dos lácteos. Confira a analise da pesquisadora da entidade, Juliana Cristina dos Santos.

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